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Armas químicas
EUA praticam no Iraque o que condenaram
a Saddam
Miguel Portas, 15.11.05
A revelação, num documentário da RAI italiana,
que o exército norte-americano utilizou fósforo
branco e napalm na batalha de Falluja, não oferece dúvidas.
As imagens revelam corpos consumidos, mas com as roupas intactas,
porque tal é a “inteligência” do fósforo
branco. Declarações de militares norte-americanos
confirmam o uso de napalm na batalha. Os desmentidos de Washington
não desmentem nada. Tentam desesperadamente minimizar
a força das imagens, fotografias e documentos revelados
pela televisão italiana.
A verdade, nua e crua, é simples: as tropas de G.W.Bush
usaram no Iraque precisamente as armas que não encontraram
nos desertos da Mesopotâmia, e que acusariam Saddam Hussein.
Mais: o Império comportou-se em Fallujah exactamente
como, anos antes, o fizera o ditador de Bagdad, em várias
aldeias curdas e do Sul do país. Com a mesma ferocidade
e indiferença à condição humana.
O paradoxo não poderia, aliás, ser mais brutal:
o primeiro julgamento de Saddam Hussein incide, precisamente,
sobre o uso de armas químicas na chacina de uma população
xiita do Sul do iraque. Por causa dessa acusação
concreta, tipificada como crime contra a Humanidade, o antigo
ditador incorre no risco de aplicação de pena
capital. É caso para perguntar, “já agora,
cadê o outro”? Para quando um Tribunal Internacional
Penal que julgue os crimes do imperador?
Veja
o documentário em media clip
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