Sáb 5 Jul 2008

Pergunta-me Henrique Morais se “a senhora Ingrid não merece uma posta aqui”. Merece sim senhor.
Ainda bem que foi libertada, mesmo se os libertadores se não recomendam. A verdade é que os sequestradores também não.
Aconselho a todos a leitura da breve entrevista que José Saramago dá ao DN, criticando a posição do seu partido a este propósito. Não se pode saudar uma libertação e, ao mesmo tempo, recusar condenar os raptores. É verdade que a outra moção apresentada no Parlamento procedia ao branqueamento de Uribe, cujas relações com os paramilitares colombianos de extrema-direita ultrapassam em muito o nível da simples suspeição. Mas isso não invalida a crítica intransigente das FARC. Na verdade, o que começou por ser uma táctica num contexto de guerra civil - a Colômbia vive em guerra civil larvar há, pelo menos, dois séculos - acabou por transformar a própria organização, degenerando-a. As FARC não dependem hoje de um povo que as apoie, mas de ligações perigosas e processos inaceitáveis .
Dito isto, ninguém pense que existe uma solução militar para o conflito colombiano. Pode a guerrilha ter quebrado as suas fronteiras com o banditismo. Nem por isso o banditismo deixa de ter uma dimensão social e política que mergulha as suas raízes nas injustiças e violências praticadas pelos poderes historicamente dominantes da América Latina.
Bom seria que a libertação de Ingrid Bettencourt anunciasse a libertação da Colômbia das leis da violência simétrica. Disso não se ocupará Uribe. Para isso se devem mexer quantos e quantas, como eu, assinámos exigências de libertação e depositámos esperanças na mediação de Chavéz.
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